Os americanos não são ricos ou têm uma maneira fácil de ganhar dinheiro? – Riqueza e pobreza nos EUA

Ricos? Claro que não! Mas vamos por que …

Um equívoco normal do estrangeiro comum que vê um americano de férias é: “Bem, ele/ela deve ter dinheiro. Vamos cobrar um pouquinho mais deles. ” E tem uma boa razão para pensar assim. Basta olhar pro valor do dólar em comparação com qualquer tipo de peso, real, iene, rupia ou rublo. Os valores são extremamente desproporcionais. Então, os norte-americanos em férias podem pagar um pouco mais. Não tenha dor!

A questão é que você precisa observar quantos americanos viajam para o exterior. O fato é que apenas 11% de nós viajamos pro exterior no ano passado, sem contar o México ou o Canadá, que era ainda menos do que no ano anterior. Eu nem quero imaginar como eram os poucos que viajaram este ano (2020, Covid-19, etc.).

O limite de pobreza nos EUA é de US $ 25.700 por ano para uma família de quatro pessoas, o que representa cerca de 38 milhões de americanos.

Aqueles com maior probabilidade de serem pobres são:

  • famílias com pais solteiros em vez de casais
  • mulheres, em geral, ao invés de homens
  • crianças em vez de idosos

E há quase 4 milhões de deficientes vivendo na pobreza.

Indígenas e negros também têm maior probabilidade de serem pobres, enquanto brancos e asiáticos são igualmente os menos prováveis. Mas essa é uma tendência comum em quase todos os lugares.

Então, aquilo é só falando sobre “pobres normais”. E aqueles que vivem numa pobreza profunda e intensa? Bem, contando os americanos que ganham menos da metade do que é considerado o limite da pobreza, ainda tem mais de 17 milhões que vivem nesta zona chamada de “pobreza extrema”. Isso significa que passam fome, que não têm onde morar, ou vivem em condições terríveis, se não na rua. Isso sem mencionar os mais de 93 milhões que estão quase na pobreza; isso significa que se uma pequena corda for cortada, eles qualificam. Para acrescentar a tudo isso, tem ainda mais americanos que enfrentam acesso instável a alimentos suficientes do que aqueles que enfrentam a pobreza. Surpreendente, não é?

Tá bom, não se sinta tão mal; a grande maioria dos americanos trabalha e pode ter uma vida sólida, até mesmo viver bem. Devido à infraestrutura e ao sistema de previdência relativamente desenvolvidos, a maioria das pessoas pobres nos Estados Unidos não precisa viver nas ruas ou em favelas como em tantos outros países. As taxas de pobreza calculadas pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) mostram que os EUA têm taxas de pobreza mais altas do que países como Chile, México, Turquia e Rússia, e caem quase no fundo de todas as métricas de renda em comparação com outras nações “desenvolvidas”.

Para explicar melhor, isso não quer dizer que as pessoas pobres nos EUA estão em situações piores do que os pobres no México, por exemplo; significa apenas que há mais pessoas na pobreza em proporção à população geral. Afinal, a América tem 2,5 vezes mais habitantes do que o México. Vale lembrar que a forma como cada país define a pobreza é ligeiramente distinta, então pode muito bem haver mais chilenos vivendo em extrema pobreza do que americanos, embora haja mais americanos vivendo na pobreza em geral.

Dizendo tudo isso, os norte-americanos, em geral, estão em melhor situação do que em muitos países, e nossa nação tem muitos programas que tornam a vida um pouco mais fácil do que seria em uma nação “em-desenvolvimento”. Ainda assim, apesar das altas taxas de emprego, a pobreza e a fome ainda são problemas comuns em todo o país, tanto nas maiores cidades (veja os sem-teto em Los Angeles) quanto nas áreas rurais (veja algumas das cidades não incorporadas da Califórnia). A Califórnia é um outro caso total, mas deu para entender.

A pobreza é um problema global que certamente afeta alguns lugares mais do que outros. Os EUA em toda a sua glória capitalista são, sim, ainda uns desses lugares. Se você consegue ler inglês, verifique os recursos para saber mais!

Recursos:

Americanos que viajam pro exterior: https://www.statista.com/statistics/214774/number-of-outbound-tourists-from-the-us/#:~:text=In 2019%2C there were approximately,of 41.77 million overseas travelers.&text=Excluding visitors to Canada and,in 2018 at 41.77 million.

Dados demográficos da pobreza e da fome nos EUA: https://www.povertyusa.org/facts

Taxas de pobreza nas nações da OCDE: https://www.statista.com/statistics/233910/poverty-rates-in-oecd-countries/

Uma análise mais aprofundada das estatísticas de pobreza nos EUA: https://www.epi.org/publication/ib339-us-poverty-higher-safety-net-weaker/

Locais de baixa renda nos EUA: https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_lowest-income_places_in_the_United_States

Os americanos falam apenas inglês? – Línguas nos EUA

A resposta curta é …

Bem, o inglês é a principal língua de negócios, operações governamentais e a vida diária para a maioria dos americanos. No entanto, existem alguns pontos interessantes e talvez confusos a serem feitos sobre isso. Por exemplo, os EUA são um dos poucos países sem um idioma oficial. O inglês passa a ser a principal língua em uso por causa da longa história de imigração britânica no início e, posteriormente, a consistente assimilação de outros imigrantes na cultura britânica tornada em americana.

Apesar disso, trinta dos cinquenta estados têm um idioma oficial (inglês), enquanto os demais, assim como na esfera federal, não têm nenhum.

Washington, Rhode Island e Oregon:

  • Política “English Plus”, o que significa que há uma inclusão mais ampla de idiomas disponíveis para uso público e governamental, embora o inglês ainda seja o idioma predominante nesses estados.

O francês tem um status especial na Louisiana, assim como o espanhol no Novo México, mas não são línguas oficiais do estado. Cherokee também tem status oficial nas terras Cherokee dentro de Oklahoma. Outros estados com línguas nativas (pré-coloniais) em status oficial são:

  • Dakota do Sul (Sioux)
  • Havaí (havaiano)
  • Alasca, que tem mais de vinte línguas oficiais além do inglês que não ouso tentar pronunciar.

Muitos estados, como Califórnia, Arizona e Texas, têm políticas que facilitam procedimentos públicos e informações em outros idiomas, como espanhol, tagalo, coreano e assim por diante. E não se esqueça de que a cidade com maior diversidade linguística do mundo está localizada nos Estados Unidos. Nova York pode ter cerca de 800 línguas faladas na cidade, sendo o Queens a zona mais diversa.

Dito isso, é comum pensar em outras línguas como sendo muito populares entre as comunidades de imigrantes. Poucos sabem que o país com a segunda maior população de falantes de espanhol no mundo são os Estados Unidos da América, perdendo apenas pro México. São 53 milhões de falantes de espanhol, ou mais de 16% de todos os norte-americanos.

Quase metade da população das cinco maiores cidades da América não fala inglês em casa.

Em algumas áreas, como Hialeah, Flórida, Leste de Los Angeles, Califórnia e Laredo, Texas, é mais de 90% da população. Em uma cidade grande como Los Angeles sozinha, quase 60% das pessoas falam um idioma diferente do inglês. Essa tendência não se limita apenas a lugares próximos à fronteira. Outros locais em todo o país, como Connecticut e New Jersey (nordeste), Illinois e Michigan (meio-oeste), e Colorado e Nevada (oeste), têm cidades ou condados onde mais de um terço das pessoas falam um idioma diferente do inglês.

Idiomas com mais de um milhão de falantes:

  • Espanhol, chinês, tagalo, vietnamita, árabe, francês e coreano

Isso não inclui falantes de um segundo idioma. O crioulo haitiano e várias línguas do subcontinente indiano também estão em ascensão. Embora o inglês seja de longe o idioma principal nos EUA, existem muitos idiomas falados em todo o país. Então, não se surpreenda se você encontrar alguns americanos que respondem ao seu “Como vai você?” em Gujarati.

E não se esqueça de ler mais no CultSurf! Se você consegue ler em inglês e quer aprender mais, aqui estão algumas Referências:

Os EUA não têm idioma oficial: https://edition.cnn.com/2018/05/20/us/english-us-official-language-trnd/index.html

Gráfico mostrando os idiomas oficiais dos estados: https://en.wikipedia.org/wiki/Template:Official_languages_of_U.S._states_and_territories

Idiomas dos EUA: https://en.wikipedia.org/wiki/Languages_of_the_United_States

Idiomas falados no Alasca: https://statesymbolsusa.org/symbol/alaska/state-language-or-poetry/english#:~:text=Official%20State%20Languages%20of%20Alaska&text=These%20languages%20are%3A, Tlingit% 2C% 20Haida% 2C% 20e% 20Tsimshian.

Idiomas falados na cidade de Nova York: https://www.worldatlas.com/articles/how-many-languages-are-spoken-in-nyc.html

Falantes de espanhol nos EUA: https: //telelanguage.com/spanish-speakers-united-states-infographic/

Diversidade linguística nas cidades dos EUA: https://www.lingualinkdc.net/blog/language-diversity-in-the-top-20-cities-in-the-us

Comunidades dos EUA onde o inglês não é a maioria: https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_U.S._communities_where_English_is_not_the_majority_language_spoken_at_home

Os americanos não são brancos? Quer dizer, a grande maioria? – Etnia nos EUA

Bom, essa é uma pergunta que não tem uma resposta tão simples quanto pode parecer. Por um lado, considera as cidades principais:

Los Angeles

  • quase 1,9 milhão de latinos / hispânicos, superando os brancos não-hispânicos lá

Chicago

  • tem mais de 840 mil negros, apenas uma pitada a menos em comparação com a população branca

Nova York

  • tem mais de 2 milhões de hispânicos e negros cada, embora os asiáticos não fiquem muito atrás

Atlanta

  • com quase 70 mil negros a mais que brancos na cidade

Nova Orleans

  • com mais de 100 mil negros a mais do que brancos

Houston

  • mais de 400 mil hispânicos a mais do que brancos

* Desculpe todas as cores. Só queria que você visse como nossas cidades são coloridas. 😉 *

Outras cidades importantes com maioria de minorias: Washington, DC, Saint Louis (MO), San Jose (CA), San Antonio (TX), Filadélfia (PA), Milwaukee (WI), Miami (FL), Memphis (TN) , Long Beach (CA), Honolulu (HI), Fresno (CA), El Paso (TX), Detroit (MI), Dallas (TX), Cleveland (OH), Baltimore (MD), Albuquerque (NM)

Apenas olhando as estatísticas de cidades individuais, dá para enxergar claramente como as áreas urbanas da América são diversas.

Apesar disso, posso dizer por experiência própria que, ao deixar essas cidades, você encontrará muito mais brancos do que qualquer outra coisa, o que atribui a 60% dos norte-americanos que afirmam ser brancos, mas não hispânicos, quase 200 milhões dos 330 milhões de norte-americanos. Agora, o próximo maior grupo demográfico seriam os hispânicos, mas essa também é uma classe confusa. Os “hispânicos” podem ser brancos ou negros, embora geralmente são mistos ou mestizos (mistos de brancos e indígenas), e a única coisa que os qualifica é serem originários de algum país da vasta extensão da América Latina. A América Latina nem mesmo tem uma definição sólida, o que mostra o quão confiável é esse qualificador.

Outra coisa que complica essa resposta é a crescente população de pessoas não brancas ou pardas. Como há tantos não-brancos nas grandes cidades, suas culturas costumam ser as que fazem os maiores sucessos no rádio, na TV e no mainstream. Isso, misturado com um ressentimento geral entre as minorias sobre o passado (e, vamos ser sinceros, atualidade) racista do país, gera uma cultura que é fortemente influenciada pelos ideais e prioridades de norte-americanos não-brancos, embora ainda tenhamos um longo caminho a percorrer antes que esses se dão um pulo para frente por completo.

Seria bom se os norte-americanos pudessem viver como um verdadeiro caldeirão onde todos se misturassem e se fundissem. Quanto à sua pergunta, apenas não se surpreenda em sua próxima viagem para Mardi Gras.

Se você consegue ler em inglês e quer aprender mais, aqui estão alguns recursos:

Cidades dos EUA por maioria racial: https://www.bizjournals.com/buffalo/blog/morning_roundup/2015/09/minority-groups-account-for-55-of-buffalo-s.html

Dados demográficos de Albuquerque e outras cidades dos EUA: https://worldpopulationreview.com/us-cities/albuquerque-nm-population

Demografia dos Estados Unidos: https://worldpopulationreview.com/countries/united-states-population

Quem é hispânico nos EUA: https://www.pewresearch.org/fact-tank/2020/09/15/who-is-hispanic/

Diversidade crescente nos EUA: https://www.brookings.edu/research/new-census-data-shows-the-nation-is-diversifying-even-faster-than-predicted/